UTOPIA
A morte é tão bonita quanto a vida.
Imagina: a beleza da liberdade;
o silêncio absoluto, sem hipocrisias,
e a mais sublime austeridade;
uma existência sem as ideologias,
de um estado sem responsabilidades,
não há leis, nem divisas,
tão pouco, necessidades;
as certezas dissolvidas:
em poeira as propriedades;
as verdades e mentiras,
abafadas na eternidade.
Não há poder ou sinestesia,
tão pouco, dialogicidade.
Só há a beleza da ilusão,
de alguma posterioridade.
Mas, na verdade,
a morte é a vaidade:
o sonho da terra,
lutando pela prosperidade.
O início do fim,
o fim do início.
A carne vira substrato,
mantendo contínuo esse ciclo.
Imagina: um dia bonito na terra,
o roçado crescendo sem dono,
e os pássaros comemorando,
enfim, a morte da guerra!
Linda morte, de matas, a vida.
Se é a morte de quem mata a mata,
se é a vida que a morte mata,
para a vida manter viva.
Mas…a morte não enxerga!
Ela mata desmedida.
Morre, mata,
mata viva!
Ah! A morte é tão bonita.
A morte é tão bonita quanto a vida.
Imagine: a morte em vida.
E se não fosse uma utopia?

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