sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Utopia



@casaninjaamazonia


UTOPIA

A morte é tão bonita quanto a vida. 
Imagina: a beleza da liberdade;
 o silêncio absoluto, sem hipocrisias,
 e a mais sublime austeridade;

 uma existência sem as ideologias,
 de um estado sem responsabilidades,
 não há leis, nem divisas,
 tão pouco, necessidades;

 as certezas dissolvidas: 
em poeira as propriedades;
 as verdades e mentiras, 
abafadas na eternidade.

 Não há poder ou sinestesia, 
tão pouco, dialogicidade. 
Só há a beleza da ilusão, 
de alguma posterioridade. 

Mas, na verdade,
a morte é a vaidade:
 o sonho da terra, 
lutando pela prosperidade. 

O início do fim, 
o fim do início. 
A carne vira substrato, 
mantendo contínuo esse ciclo. 

Imagina: um dia bonito na terra, 
o roçado crescendo sem dono, 
e os pássaros comemorando, 
enfim, a morte da guerra! 

Linda morte, de matas, a vida. 
Se é a morte de quem mata a mata, 
se é a vida que a morte mata, 
para a vida manter viva. 

Mas…a morte não enxerga! 
Ela mata desmedida. 
Morre, mata, 
mata viva! 

Ah! A morte é tão bonita.
 A morte é tão bonita quanto a vida. 
Imagine: a morte em vida. 
E se não fosse uma utopia?

AUAD, Andressa Chaves.














 

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