sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Docência Brasileira: a indecente dualidade


O vídeo abaixo me fez refletir sobre muitas coisas, então, eu resolvi compartilhar a minha reflexão em versos, e com o trecho do poema que estampa a descrição do blogger.


Há um tempo reflito sobre a educação como a salvação da sociedade, mas a cada pensamento que concluo, outro me toma a sanidade: como que o docente salvará uma classe, se ele mesmo não esta salvo das mazelas da cidade? 

Não salvará. 

No sistema impera a dualidade, no lar a desestrutura e o excesso de responsabilidade, mesmo que no peito a esperança ecoe, a humanidade falha — também nos professores.

Há apenas uma verdade: não há verdade. 

Não há nada imutável e absoluto que não mude em um segundo e transforme a realidade.

Entendendo isso, estamos prontos para mudar gradualmente, e ser mudado,
em uma dança multidirecional imperfeita, em uma transferência infinita entre acordo e acordado:

Docência Brasileira: a indecente dualidade


Ser professor, no Brasil:
é caminhar sozinho em direção oposta a manada; 
é ter coragem e determinação para propor o novo 
e remar contra a ignorância desenfreada; 
é ser amoral e imoral quando ensina biologia, arte e filosofia, 
pois o estado laico é cristão, elitista, e a democracia uma fachada; 
é continuar lutando e investir no futuro, mesmo em distopia; 
é ser desvalorizado, morto e exilado, um pouco a cada dia, 
mas não desistir de ensinar a construir e revolucionar, pela mudança, pela utopia.

É não jogar o cloro na quina da massa,
É negar  Color a Arlequina, que trapaça! 
É ver a ciência cair em desgraça, mas não afundar.
É beber das letras para não secar.
É ser concreto no abstrato, mesmo sendo apenas um ser eternamente figurado.
É sonhar, sem ser um exemplo de sonho, 
mas mesmo assim continuar idealizando por um futuro melhor.

[...]

AUAD, Andressa Chaves.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que você acha? Concorda ou discorda? Compartilhe as suas reflexões.