sábado, 10 de outubro de 2020

A era digital: a ambiguidade

Impressões reflexivas


addiction, rédemption ou les deux? - AUAD, Andressa Chaves.

AUAD, Andressa Chaves.


Quando comecei a estudar sobre o impacto da internet na sociedade atual, jamais imaginei que algum tempo depois eu seria obrigada a rever os meus conceitos e reutilizar tudo aquilo que eu abominava.
Comecei a fazer uma disciplina que me fazia encarar, novamente, os meus próprios conflitos existenciais, através do uso de redes sociais e artigos mostrando o lado positivo do seu uso na educação.
A principio senti uma grande revolta por ser obrigada a entrar no facebook e fazer postagens semanais ( a disciplina obrigava a realização dessas atividades), mas o fiz com empenho, dedicação e mente aberta para novas possibilidades.
Após algumas leituras e pesquisas, percebi que a internet — assim como tudo na vida — tem o seu lado bom e o seu lado ruim, e como disse Sófocles:

“ Nada grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição. ”


Comecei a refletir sobre as grandes invenções e suas utilizações, e conclui que tudo pode ser usado de forma positiva e negativa na sociedade, pois não é a invenção em si que é o problema, mas quem a usa e como usa. 
A internet, as Tecnologias de informação e comunicação, as redes sociais: todas podem ser benéficas e extremamente prejudiciais, dependendo de como são aplicadas, de qualquer forma sempre haverá alguém para aplicar de uma maneira contrária a esperada.

Se antes eu pensava em formar discentes longe da rede, achando que os protegeria, hoje vejo que é impossível e seria um desperdício, pois as leituras me fizeram entender a importância do letramento digital, isto é, eu não posso fingir que os avanços não existem, tão pouco ignorar os seus benefícios, mas posso me aliar a eles e usá-los de forma construtivista, ou seja, ajudar e orientar os alunos para que aprendam a aprender usando a internet de modo sábio e produtivo, e não apenas para se entreter — aliás, entretenimento e aprendizado podem e devem ser aliados, mas esse é um assunto para outro post.
O que quero expor aqui são as minhas atuais e mutáveis conclusões:
É preciso driblar todo caos e manipulação presente nas redes, aprender e reaprender as novas verdades estabelecidas, para acompanhar as gerações e, com isso, ser capaz de orienta-los. Não basta saber utilizar, como era o meu caso, mas achar o propósito e uma metodologia por trás da utilização, para aplicar no cotidiano escolar - é isso que planejo fazer no futuro.
Se uma turma de jovens está presa no vício de uma rede social, postando selfies em busca de aceitação, ou "rolando o feed em modo zumbi" por condicionamento, cabe ao docente se aproveitar desse vicio e se aproximar pelo próprio "inimigo", o tornando uma ferramenta útil.
Por exemplo:
Se há uma turma que só quer saber de foto no Instagram, e tudo que eles conversam se resume ao que viram nas redes, o docente pode postar fotos divertidas, com humor autodepreciativo para cair no assunto desses jovens e introduzir, através do próprio Instagram, frases que os façam pesquisar sozinhos sobre algum determinado assunto, através dos próprios interesses e curiosidades, estabelecendo projetos de pesquisa pelas mesmas ferramentas de manipulação, mas os manipulando (direcionando) para que estudem, questionem e sejam capazes de controlar os próprios vícios no futuro.
Claro que essa é apenas uma ideia imaginada, mas a questão é ressaltar a importância da adaptação do docente com a realidade da turma, da sociedade.

Mesmo que o docente faça parte da sociedade e seja apenas mais um humano com seus próprios problemas, é importante que a sociedade tenha profissionais dispostos a questionar a própria realidade, e não apenas segui-la passivamente, apenas para ganhar dinheiro para a manutenção da vida.
Os docentes podem e devem ser esses profissionais, mas esse é um outro assunto longo para outro post.

A internet, as tecnologias, trouxeram fácil acesso aos conhecimentos da humanidade, e isso pode revolucionar e ampliar os horizontes da educação, mesmo que junto venham novos vícios e problemas, a culpa não é da evolução tecnológica em si, mas de toda a sociedade que ainda precisa se adaptar, e se reconstruir, e isso acontecerá de forma gradual.
O papel do docente, nesse processo de adaptação, portanto, é fundamental; mas, para isso o professor precisa estar disposto a enxergar além do que aprendeu, e se reformular constantemente, se letrar de acordo e além das demandas do seu tempo.

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