segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Educação sexual nas escolas: Indecência ou consciência?



Reflexões e proposta de atividade

Muitos são os problemas da sociedade atual, e um deles que me faz refletir muito é a gravidez na adolescência, que pode ser ocasionada por diversos fatores, como: família desestruturada, religiosidade, influências da mídia,  biologia, etc., mas não vou focar nas causas, pois quero propor soluções, não para acabar com as causas em si, mas para diminuir o problema através da conscientização.

É um grande tabu pensar em educação sexual nas escolas, pois muitos acham que será ensinado a fazer sexo, mas não é bem assim! A intenção é explicar sobre a anatomia, a mudança do corpo e o funcionamento, as formas de prevenção, além de preparar os discentes para se defender de possíveis abusos sexuais.
A maioria das famílias não aborda muito bem o assunto, principalmente nas periferias, e como uma criança saberá que a "brincadeira" de um adulto é um abuso, ou como se prevenir e evitar doenças ou uma gravidez, se as famílias não explicarem, ou as escolas? 
Não saberá, e em meio ao excesso de informação na internet, principalmente com a presença de crianças nas redes sociais sem supervisão, estará suscetível aos problemas citados pela falta desse saber.
Conhecer a si mesmo — em vários aspectos — é fundamental para a criança, o jovem, se preparar para o mundo. Saber como o ser humano é produzido, ou conhecer melhor a genitália, não fará a criança, necessariamente, iniciar cedo a vida sexual, pelo contrário, conhecer o próprio corpo poderá impedi-la de descobrir as coisas sozinhas em ambientes externos de maneira impulsiva, por exemplo.
Muitas jovens chegam a fase adulta e até a velhice sem saber e conhecer o próprio corpo e o seu funcionamento, e isso é gravíssimo! Não ter esses conhecimentos básicos ultrapassa a problemática de gravidez e DST's, alcançando problemas sexuais, qualidade de vida, ansiedade, depressão, etc.
O quadrinho que abre essa postagem, é uma amostra do que seria a educação sexual.
Veja mais alguns (clique nas imagens para visualizar):



Com uma linguagem mais simples, os quadrinhos facilitam a absorção e o interesse por esses assuntos. O docente que entende a importância desse tipo de conteúdo e não está preso a tabus ou religiosidade e está disposto a aprender primeiro, para pode ensinar a aprender depois, além de buscar novos meios de se comunicar com os alunos, novas metodologias — como quadrinhos, jogos, artes, etc. — certamente estará contribuindo para uma vida melhor de seus discentes.

Refletindo sobre isso tudo, trago uma proposta de atividade em sala de aula, para o quinto ano do ensino fundamental.


Nome da atividade: O corpo e a paisagem.

Público alvo: 5º ano. 

Disciplina curricular: Proposta interdisciplinar entre Ciências (Biologia) e Artes (Fotografia).

Enunciado da atividade: De acordo com o que você observar no seu corpo, fotografe algo semelhante ao que você viu, sentiu ou pensou.

Objetivo: Conhecer o próprio corpo e enxergar a sua naturalidade; se expressar através da arte, da fotografia.

Duração: 4 tempos de aula.

Descrição da atividade: A atividade será dividida em três momentos.

- Diálogo sobre as nomenclaturas dos sistemas de reprodução feminino e masculino, com auxilio de imagens, vídeos, livros, pesquisas online, etc.

- Provocação perguntando o que eles pensam sobre o assunto, estimulando e introduzindo uma pesquisa para casa, com o seguinte enunciado:
 "Em casa, analise no espelho o seu órgão genital, observando as cores, as formas e identificando cada região de acordo com os nomes aprendidos em sala de aula.
Depois, imagine o que se parece com o que você visualizou no espelho, procure e fotografe algo semelhante ao que você observou, ou que represente o que você pensou ou sentiu ao identificar e conhecer o seu corpo — procure nas nuvens, nos jardins, nos alimentos, nas paisagens, nas arquiteturas, entre outras possibilidades. 
Traga a(s) fotografia(s) e compartilhe as suas observações com a turma".

- Apresentação das fotografias tiradas pelos alunos e de suas observações e explicações sobre elas, com uma roda de perguntas e respostas sobre cada trabalho, de forma multidirecional entre todos.  

Avaliação: Formativa em todos os momentos.

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Dessa forma, a partir das observações dos alunos, uma abordagem sobre se defender de abusos, conhecer o próprio corpo, se prevenir, etc., pode ser trabalhada a partir da interação com as fotos das paisagens, e os comentários deles, sempre com um clima mais descontraído e natural.
Conhecer o próprio corpo é a porta de entrada para abordar outros temas que ensinem a se prevenir de doenças e gravidez, além de reconhecer e se defender de abusos.
E essa ideia ainda pode ser muito explorada e adaptada a cada realidade, por exemplo, os alunos podem montar uma historinha com as fotografias tiradas, ou realizar uma exposição, entre infinitas possibilidades.

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